segunda-feira, 30 de junho de 2014

Grouxo

Todos precisam crer em algo, eu creio que vou tomar uma cerveja.

sexta-feira, 7 de março de 2014

mente pra mim só mais um pouquinho

diz
que 
é
diz 
vai

diz
piscando
cruzando dedo
colocando a língua pra fora
mas
diz 
sim

diz
ainda
é 
carnaval
porra

domingo, 14 de abril de 2013

Meus velhos por Caetano


A carne
a arte 
arde, 
a tarde cai
no abismo 
das esquinas


A brisa leve traz 
o olor fulgaz
do sexo 
das meninas

meus velhos

da pele macia
da mão que aninha
dos banhos de bacia
infância  cia

daqueles elos
meus velhos
daqueles elos

dos passos na areia de Arraial do Cabo
do "não sinta medo,
estou do seu lado"
estou aos berros mas
sofro mesmo calado

daqueles elos
meus velhos
daqueles elos

do berimbau
que já sei que não é gaita
do mau,
da vaia,
que nada!
é tão tarde
amanhã
já vem!

daqueles elos
meus velhos
daqueles elos

de como tremem
e temem
a mesmice
de como temo
e remo contra
a velhice
dos meus ídolos.







domingo, 3 de março de 2013

Mais paradoxos banais


Voltei a ver filmes como antigamente, depois de um ano de certo desprendimento cinéfilo, voltei com tudo. Sinto que algo novo está começando na minha vida, ao mesmo ponto que coisas velhas voltam a se firmar. Voltei a ser cinéfila, só que agora quero também ser cineasta e de resto aquele mesmo blábláblá existencial e dúvidas adolescentes que me perseguem (agora eu as aceito bem e não pretendo lidar com elas, só aceitar e sorrir de coisa boba, sorrir de coisa séria e chorar com a cara fora do ônibus para reforçar as lágrimas com a retina ressecada, sou bem dessas, daria pra ser atriz de tanto que choro.). Voltando ao papo que interessa, reservei a semana para retornar aos braços de Truffaut. Depois de um tempo distante desse mundinho francês, quis assistir aos quatro filmes que François fez como Antoine. Desde “Os incompreendidos  até “Amor em fuga”. Vi “Beijos Roubados”, perdendo um pouco de seu final, até ia ver de novo, mas matei o filme em vinte minutos. Acho que a idade me trouxe uma perspicácia tremenda, sou uma velha de uma intensa vida de dezoito anos (por extenso parece mais sério). Mas, o que mais me chamou atenção foi o terceiro filme da saga do homem romântico contemporâneo, o “Domicílio Conjugal”. O filme em si não tem muito nada de novo e poderia passar batido na vida de qualquer um, mas acho que em especial comigo, ele pegou em pontos muito em voga na minha vida agora. Primeiro eu tinha certeza que já tinha visto o filme, mas nunca tinha visto. O filme não, mas a história vem sido contada pra mim de maneiras diferentes desde um bom tempo. A relação dos meus pais, a relação do meu pai com suas outras mulheres depois da minha mãe, relações dos meus amigos próximos (muitos casais se desfazendo no momento), as relações que eu sempre me interessei sempre pareceram fadadas ao fim de alguma maneira. Acho que eu encontro mais um paradoxo banal sobre mim, de um lado que tenho verdadeiro pânico de pontos finais, sou uma verdadeira obstinada por eles ao ponto que nunca consegui alcança-los e vi poucas pessoas conseguindo.
“Domicílio conjugal” veio pra reforçar sentimentos que eu ando voltando a pensar bastante sobre (tinha parado de pensar porque são sentimentos clichês e acho que a gente tem que se dar uma brecha de ser só feliz, sem pensar. O pensamento traz toda a infelicidade das questões) a dimensão do amor e a fragilidade das paixões. Já vi muitos fins, mas poucos definitivos. O amor tem um poder reticenciador infernal. O amor é um sentimento burguês, o amor é, como definiria Antoine, uma Peggy Sensata. Tem todo o poder exibicional e imperador americano junto com uma educação e sublimação terrível, avassaladora, mas forte do que nós. Amor faz a gente suportar toda a verdade de um bafo na cara todo dia por semana e de discussões terríveis do sobre o por que você não atendeu o celular. O amor é a rima justa com dor. A paixão é a mentira que a gente necessita pra viver. Enquanto o amor procura a adequação, a simetria, a compreensão. A paixão quer o desafio, o mistério, o duvidável  A paixão nos permite ser o que nunca fomos, nos inventar, sermos outro e acreditarmos na mentira do outro. A paixão é a válvula de escape que nós temos de nós mesmo, ao ponto que o amor joga na nossa cara toda a nossa mediocridade e falta de senso. A paixão arde, fere, goza. O amor as vezes nem se mostra presente, mas é perpetuado a cada hora. A paixão é pura brecha poética. Mas, como toda brecha ela se dissolve quando muito aberta. Eu entendi a paixão muito cedo, acho que sou uma praticante fiel dela e sinto uma falta tremenda da mentira, mesmo estando muito satisfeita com a minha verdade.
Outro dia, fui atravessar a rua sem olhar – para não desmanchar a personagem que fiz de mim mesma, afinal também temos que arrumar formas de nos apaixonarmos por nós – e quase morri atropelada. Quem me salvou foi Samuel, que com raiva disse: “da próxima vez de deixo morrer, porque a única coisa que você faz é me matar de preocupação.”. O amor só pode ser algum distúrbio, alguma doença mesmo...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Tatuagem 2

Memória (Carlos Drummond de Andrade)
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

domingo, 23 de dezembro de 2012

dezembro, fim do mundo, natal e toda essa baboseira aprisionadora, me faz desejar um fim.

só para poder recomeçar.

mas já que não dá...

vamos na fé
na arte
na luta
na lua
até aonde não dá mais pé.

------
já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma

morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma

leminski