quarta-feira, 7 de março de 2012

a mesma

engraçado, engraçado
encontrei um amor
encontrei uma meta
esbarrei numa flor
aprendi a ser correta
e incorreta também


 17 anos
vida pra burro
e a certeza que a vida
não basta
aquele velho amor a arte

sou uma farsa
eu continuo a mesma
amo os mesmos
e meu gosto musical ainda é o melhor.

sou a mesma Gabinha, Gabiroga, Gabriola
e sou tantas.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Florbela Espanca

AMOR QUE MORRE

O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta.
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer
E são precisos sonhos pra partir.



Eu bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
Doutro amor impossível que há de vir!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Saudade Sempre

Sem mim
me agarro a um tanto de mim
não aqui
já existente
sobre tudo e abismo.
Horas são outrora
além-de. O
muito em mim me faz:
som de solidão.
-
Guimarães Rosa

Ou...Ou

A moça atrás da vidraça
espia o moço passar.
O moço nem viu a moça,
ele é de outro lugar.

O que a moça ouvir
o moço sabe contar:
ah, se ele a visse agora,
bem que havia de parar.

Atrás da vidraça, a moça
deixa o peito suspirar.
O moço passou, depressa,
ou a vida vai devagar?

- Guimarães Rosa

Rosa do Rosa.

SAUDADE, SEMPRE
(versão aflita)


Alma é dor escondida.
O coração existe
animal a um canto
- o triste.
Posso pecar contra ti
ingenuamente:
há fogo, o fundo
o instante; não,
o esquecimento
é voluntária covardia.

- Guimarães Rosa

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Mas que haja

Haja hoje para tanto ontem - Leminski

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ameixas e outras frutas de Leminski

ameixas
ame-as
ou deixe-as

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DESENCONTRÁRIOS

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer Poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

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Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.